Técnica

A física da ressonância dos relógios com diapasão de quartzo Accutron e a eletrônica analógica

Em 1960, o engenheiro suíço Max Hetzel revolucionou a medição do tempo ao criar o Bulova Accutron, o primeiro relógio eletrônico de pulso a substituir o conjunto tradicional de balanço e mola-espiral por um diapasão de aço inoxidável como órgão regulador.

Alimentado por uma pequena bateria de mercúrio e controlado por um circuito transistorizado, o diapasão do Accutron oscilava na frequência impressionante de trezentos e sessenta hertz. As vibrações contínuas da haste do diapasão eram convertidas em rotação mecânica por meio de uma catraca microscópica de rubi acoplada a uma roda de engrenagem de apenas dois milímetros de diâmetro contendo trezentos dentes invisíveis a olho nu.

Devido à alta frequência de oscilação do diapasão, o ponteiro dos segundos do Accutron deslizava pelo mostrador em um movimento absolutamente contínuo e silencioso, emitindo uma nota musical característica em tom Fá sustenido audível ao aproximar o relógio do ouvido. O modelo marcou a transição da mecânica pura para a era microeletrônica.

Essa precisão por vibração contínua de alta frequência dialoga com as inovações que estudamos na nossa pesquisa sobre a física dos escapamentos de alta frequência no acervo horológico europeu. A documentação técnica das patentes de Max Hetzel pode ser pesquisada nos arquivos do Centre Suisse d’Électronique et de Microtechnique.

O relógio de diapasão permanece como um dos marcos mais audaciosos da transição tecnológica da horologia do século vinte.

Descrição acessível da imagem – Fotografia macro de estúdio do circuito exposto de um relógio Accutron Spaceview, mostrando as bobinas de cobre, o diapasão de aço e a minúscula roda de catraca sob luz técnica focada, fotorealista em 8k.

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