Técnica

A física do turbilhão duplo de rotação diferencial e a compensação gravitacional tridimensional

A invenção do turbilhão por Breguet em 1795 objetivava anular os erros de marcha causados pela gravidade terrestre em relógios mantidos na posição vertical. Contudo, o turbilhão tradicional de um único eixo opera a compensação gravitacional em apenas um plano bidimensional, enquanto o relógio de pulso moderno é submetido a orientações tridimensionais constantes durante o uso.

Para superar essa limitação e atingir estabilidade cronométrica total, a alta horologia contemporânea desenvolveu os sistemas de turbilhão duplo com rotação diferencial. Nesses movimentos, duas gaiolas de turbilhão independentes são montadas em ângulos inclinados de trinta graus e giram em velocidades opostas.

A taxa de oscilação de cada balanço é enviada para um diferencial mecânico esférico central, que calcula a média matemática entre as duas frequências antes de transmitir o movimento ao trem de engrenagens das horas. Esse arranjo neutraliza as variações gravitacionais em qualquer posição tridimensional do pulso.

A complexidade matemática do diferencial esférico eleva a novos patamares os conceitos que analisamos no nosso estudo sobre a física da ressonância de dois balanços e a sincronização mecânica de fuso duplo. Os artigos técnicos sobre a física dos turbilhões inclinados estão disponíveis na Fondation de la Haute Horlogerie.

O turbilhão duplo diferencial é a demonstração máxima do domínio da física espacial aplicada à alta cronometria.

Descrição acessível da imagem – Fotografia macro de estúdio focada nas duas gaiolas inclinadas de um turbilhão duplo diferencial em ouro rosa, girando sobre pontes espelhadas sob luz técnica pontual de alta resolução, fotorealista em 8k.

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