Técnica

A física dos sistemas de mola-espiral dupla invertida e a neutralização da gravidade

Mesmo em molas-espirais planas fabricadas com ligas metálicas avançadas, a presença da curva terminal e do ponto de fixação cria uma pequena assimetria na distribuição de massa da mola durante sua expansão e contração. Essa assimetria faz com que o centro de gravidade do espiral se desloque ligeiramente a cada oscilação, gerando erros de marcha dependendo da posição vertical do relógio.

Para neutralizar esse deslocamento de massa sem recorrer à complexidade de um turbilhão, a engenharia horológica desenvolveu o sistema de mola-espiral dupla invertida. Nete arranjo, duas molas-espirais rigorosamente idênticas são montadas sobre o mesmo eixo de balanço, mas com suas espiras orientadas em direções opostas.

À medida que o balanço oscila, uma das molas se expande para a esquerda enquanto a segunda mola se expande exatamente para a direita. Os deslocamentos do centro de gravidade de ambas as molas cancelam-se mutuamente em tempo real, garantindo que o ponto de gravidade do conjunto permaneça perfeitamente imóvel no centro de rotação do eixo.

A neutralização dos erros de gravidade por molas duplas representa uma alternativa brilhante às soluções que estudamos no artigo sobre a ciência dos balanços de inércia variável e o fim dos parafusos de raquete tradicionais. As pesquisas em física de espirais duplos podem ser consultadas no acervo do Centre Suisse d’Électronique et de Microtechnique.

A mola-espiral dupla invertida é o triunfo da simetria física aplicada ao equilíbrio do órgão regulador.

Descrição acessível da imagem – Fotografia macro de estúdio focada nas duas molas-espirais metálicas sobrepostas e invertidas no balanço de um relógio de alta horologia, sob foco de luz científica direto de alta definição, resolução 8k.

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