Revista Pivot
A história da Seiko e a Revolução do Quartzo: o dia em que o Japão estremeceu a Suíça em 1969
No dia 25 de dezembro de 1969, enquanto o mundo comemorava o Natal e celebrava a recente chegada do homem à Lua, a manufatura japonesa Seiko lançava silenciosamente em Tóquio um relógio que mudaria para sempre o rumo da história industrial do planeta: o Seiko Quartz Astron 35SQ.
Alojado em uma elegante caixa de ouro amarelo dezoito quilates e custando na época o equivalente ao preço de um carro popular médio, o Astron trazia em seu interior o primeiro movimento elétrico regulado por um cristal de quartzo produzido em série no mundo.
O lançamento do Astron deflagrou o evento que os historiadores europeus chamam de A Crise do Quartzo e os japoneses de A Revolução do Quartzo, um abalo sísmico que colocou a tradicional indústria horológica suíça de joelhos durante mais de uma década.
A física do cristal de quartzo e o efeito piezoelétrico
O princípio científico por trás do relógio de quartzo baseia-se no efeito piezoelétrico, descoberto pelos irmãos Pierre e Jacques Curie no século dezenove. Quando uma pequena corrente elétrica fornecida por uma bateria de prata é aplicada a um minúsculo cristal de quartzo lapidado no formato de um diapasão, o cristal passa a vibrar em uma frequência rigorosamente constante de trinta e dois mil, setecentos e sessenta e oito hertz (32.768 Hz).
Um circuito integrado microeletrônico conta essas vibrações e envia um pulso elétrico exato a cada segundo para um motor de passo de micropassos, que move o ponteiro dos segundos com precisão matemática.
Enquanto os melhores relógios mecânicos automáticos da época variavam alguns segundos por dia, o Seiko Astron apresentava uma variação máxima inacreditável de apenas cinco segundos por mês ou um minuto por ano.
A física do oscilador de quartzo e a evolução da microeletrônica alinham-se aos estudos que realizamos sobre a física da ressonância dos relógios com diapasão de quartzo Accutron e a eletrônica analógica. A história das inovações industriais japonesas pode ser consultada na Fondation de la Haute Horlogerie.
A crise na Suíça e o renascimento pelo design e alta horologia
A precisão imbatível e a rápida queda nos custos de produção dos relógios de quartzo durante a década de 1970 provocaram o fechamento de centenas de manufaturas tradicionais na Suíça e o desemprego de dezenas de milhares de artesãos.
A resposta suíça só viria anos mais tarde com o lançamento do revolucionário relógio de plástico Swatch nos anos 1980 e com o reposicionamento do relógio mecânico não mais como mero instrumento de medição do tempo, mas como obra de arte, joia e objeto de celebração emocional.
A Revolução do Quartzo promovida pela Seiko democratizou o acesso ao tempo exato em todo o mundo, demonstrando o poder da inovação tecnológica sobre a tradição.
Descrição acessível da imagem – Fotografia de estúdio do histórico relógio Seiko Quartz Astron de 1969 em caixa de ouro 18k com mostrador texturizado, repousando sobre um circuito eletrônico vintage sob luz de galeria, qualidade 8k.




















